Com testes rigorosos e opções de acessórios específicos, portas alcançam requisitos de exigência para todas as classes de desempenho

O processo de qualificação e certificação de portas de madeira tem influência de todos os itens que compõem o produto final. Com a ajuda de fornecedores, a indústria produz agora todos os perfis de desempenho de portas em conformidade com a Norma de Desempenho da construção civil. O processo de certificação é criterioso e os testes extremamente rígidos. Como resultado do empenho de toda a cadeia produtiva, as portas de madeira contam com acessórios que aumentam a performance do produto.

Para qualificar uma porta são realizados ao menos nove testes, sendo seis deles mecânicos (torção estática, impacto de corpo mole, carregamento vertical, resistência ao fechamento com presença de obstrução, impacto de corpo duro e resistência ao fechamento brusco) e outros três sobre análise de variação dimensional.

Há ainda testes específicos realizados para portas resistentes à umidade, de comportamento sob ação da água, do calor e da umidade, e requisitos especiais previstos para portas de entrada, que são resistência ao fogo e isolação a ruídos aéreos.

Atualmente, a conformidade de portas é baseada na norma NBR 15930 – Portas de Madeira para Edificações, publicada no final de 2011 e que classifica esses componentes quanto ao uso e desempenho – a normativa tem caráter complementar à NBR 15575.

Nesse cenário, empresas fornecedoras nas indústrias de portas elogiam a iniciativa e garantem que o próprio mercado está se adequando à normativa.

A Gran.casa, fabricante de ferragens e acessórios, desenvolveu o Vedaporta. O produto patenteado impede a entrada de água, luz e tem a capacidade acústica de isolamento de até 57 decibéis. O acessório auxilia o cumprimento dos padrões de qualidade descritos na Norma. A empresa possui dois modelos para portas de madeira: o embutido e o sobreposto, que além da proteção também confere design diferenciado. Fornecedores de painéis de madeira  também adequaram produtos para atender os requisitos.

“Desde o início, a Guararapes participa desse programa e sempre esteve na lista de empresas qualificadas, garantido que quem compra nossos produtos os receba com uma qualidade superior ao que se apresenta no mercado”, analisa Gerson Aldo de Souza, gerente técnico da empresa.

A opinião é compartilhada pelos representantes da Rover Plastic, que introduziram novos produtos em função das exigências da norma. “Estamos trazendo duas novidades para o Brasil, uma evolução dos produtos que já introduzimos, específicos às normas brasileiras, que prevê deformações do painel por causa da umidade”, diz Aroldo Guardini, diretor de Engenharia da multinacional. ‘’A vedação compensa o trabalho que a porta vai sofrer com a umidade. Outra novidade é a mistura de materiais que compõe essas vedações, que bloqueiam totalmente a passagem de luz”, acrescenta.

TESTANDO

A maior parte dos ensaios mecânicos é realizada em corpos de prova fixados a uma estrutura metálica, na qual a instalação e a desinstalação é fácil e rápida, simulando a fixação da porta em uma situação normal de uso.

“Nesta estrutura metálica, os corpos de prova são submetidos aos ensaios de resistência ao carregamento vertical coplanar à folha de porta, resistência ao esforço torsor, resistência aos impactos de corpo mole, resistência ao fechamento brusco e resistência ao fechamento com presença de obstrução. Existe ainda o ensaio mecânico de resistência aos impactos de corpo duro, realizado em uma folha, na horizontal, apoiada sobre uma mesa de granito”, explica Thiago Barreiro, do IPT (Instituto de Pesquisa e Tecnologia), responsável pelos testes.

Já os ensaios de variação dimensional envolvem algumas etapas de preparação. Primeiramente, o corpo de prova é acondicionado em câmara por sete dias, à temperatura de 23°C e 50% de umidade relativa do ar; neste acondicionamento, medem-se as dimensões do marco e da folha de porta, tais como altura, largura, espessura e desvios de forma e de planicidade. Depois, o mesmo corpo de prova é acondicionado à temperatura de 23°C e 85% de umidade relativa, por outros sete dias, se o produto não tiver acabamento, ou por 21 dias, se o produto for acabado. Após esse processo, todas as medições são refeitas e há limites para as variações dimensionais obtidas.

AVALIAÇÃO

Os ensaios mecânicos são relacionados aos esforços que a porta estará sujeita quando instalada, sejam esforços normais ou anormais de uso. “O ensaio de resistência ao carregamento vertical coplanar à folha de porta é um ensaio de uma condição de uso que simula uma criança pendurando-se nas maçanetas, ou seja, segurando-se nas maçanetas e retirando os pés do chão. O ensaio de fechamento brusco simula uma porta aberta que é bruscamente fechada por ação normal de vento ou por uma ação anormal e intencional de pessoas “batendo” as portas”, diz Thiago.

“Os ensaios de variação dimensional são realizados principalmente para saber quanto a porta expande com a variação das condições climáticas a que estará submetida, variando a umidade do ambiente, respeitando limites para que não fique raspando nos marcos ou no chão, dificultando na abertura e fechamento”, completa. Além disso, esse ensaio também verifica se algum componente da porta sofre dano como fissura ou descolamento e se mantém a forma e a planicidade para que o desempenho seja mantido.

PORTA ACÚSTICA

A avaliação de acústica é realizada com relação à vedação vertical como um todo, então, tanto a parede como as esquadrias (portas e janelas), são responsáveis pelo índice de isolação sonora. Particularmente em halls de entrada de apartamentos, nos quais a parede é pequena e a porta ocupa grande parte de toda a vedação vertical, o valor do índice de redução sonora depende basicamente da porta, então a porta é parte fundamental no desempenho da vedação vertical, ou na isolação sonora entre unidades habitacionais distintas.

“Para uma porta ter um índice de isolação sonora alto, devem ser considerados alguns  conceitos importantes. O primeiro é que quanto maior a massa por unidade de área, maior a isolação sonora; e o segundo é o conceito de massa – mola, em que consiste uma redução da energia sonora toda vez que o som muda de meio, ou seja, quando uma porta é realizada com diferentes camadas e cada camada tem uma massa específica distinta da adjacente, maior é a redução de energia e, consequentemente, maior é a isolação sonora”, diz o técnico do IPT.

Dessa forma, para uma porta isolante acústica, recomenda-se uma grande massa superficial, grande número de camadas e com diferença de massa específica entre as camadas adjacentes.

Utilizando esses dois conceitos, acessórios como amortecedores, guilhotinas de vedação e uma boa instalação é possível fazer portas de madeira com elevada isolação acústica.

EVOLUÇÃO

O IPT afirma que se pode notar a evolução dos produtos após a regulamentação dos testes: nos últimos anos houve mudanças significativas de matéria- -prima, com o uso de madeiras oriundas de florestas plantadas e emprego de outros materiais, como revestimentos e colas.

Hoje o índice de conformidade é mais elevado e os produtos ficaram mais complexos, pois não são apenas portas internas ou de entradas certificadas, mas também portas resistentes à umidade, portas isolantes acusticamente e resistentes ao fogo, além, é claro, das portas internas e de entrada.

“Há uma tendência crescente do fabricante em certificar vários tipos de portas de madeira, para oferecer um leque de opções ao mercado, atendendo suas exigências”, pondera Thiago.

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