Com produtos certificados pela ABNT, setor foca na divulgação da certificação para provocar novo posicionamento do mercado.

De acordo com informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o nível de atividade da construção civil está abaixo do usual desde maio de 2012 e, recentemente, o anúncio de reformulação do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) incluiu o corte de subsídio aos mutuários de menor renda. Nesse cenário, o setor de portas de madeira também sentiu os reflexos da crise.

A solução pensada em conjunto pelos principais fabricantes nacionais: investir na qualidade. Por meio do Programa Setorial da Qualidade de Portas de Madeira para Edificações (PSQ-PME), desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) e pelo qual é possível certificar os produtos junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os empresários viram que seria possível modificar a forma como o mercado consome esse produto e voltar a crescer.

De acordo com Isac Zugman, diretor da Compensados e Laminados Lavrasul S.A, a queda no consumo de modo geral vem contribuindo para a desaceleração da economia brasileira, e a maioria das fábricas vem sofrendo. Outra grande preocupação é com a inadimplência. Mas mesmo com todos esses dados que servem de alerta, as empresas de portas de madeira estão investindo pesado para melhorar o nível dos produtos que vem sendo ofertado ao mercado.

“Muitas construtoras ainda usam material de baixa qualidade e entregam esses empreendimentos para o consumidor, mas em breve o mercado brasileiro vai acabar dando preferência, especialmente na construção multi-habitacional, para portas certificadas, já que esse tipo de produto é de melhor qualidade e, além disso, tem mais garantia”, afirma Zugman.

Para Miriam Canfield, diretora da Ipumirim Portas e Molduras, o mercado teve uma queda significativa e parou, mas, em breve, deve começar a deslanchar.

“Quando isso acontecer, o setor de construção vai priorizar produtos por desempenho. Assim, aquelas empresas que já estão apostando no programa de qualidade sairão na frente. Se não começarmos a crescer já no próximo ano, certamente em 2018 o setor vai começar a andar. Então vamos colher os frutos do que estamos plantando. Somos tecnológicos, gostamos de produtos inovadores. E o programa de qualidade está fazendo com que busquemos mais isso. As empresas estão trabalhando por produtos cada vez melhores. Por isso, a certificação não tem volta”, destaca.

E além de garantirem mais qualidade aos produtos, os empresários do segmento de portas de madeira acreditam também que o PSQ-PME vai servir para “nivelar” o mercado e acabar com a concorrência desleal. Washington Almeida, diretor Comercial da STM, afirma que a certificação vai fazer com que o comprador tome sua decisão por um produto ou outro com base em parâmetros preestabelecidos, e esse padrão já está começando a ser exigido.

“Quando as construtoras estavam comprando produtos de empresas não certificadas, até porque não tinham outra alternativa, começaram a ver prejuízos diretos e indiretos de trabalharem com produtos sem padrão de qualidade. Com a queda do mercado como um todo, hoje está se privilegiando a necessidade de ter certificação, porque errar está ficando mais caro. O consumidor brasileiro, quer seja o construtor, o revendedor ou consumidor final, terá ganhos”, ressalta.

Na avaliação de Jaime Salvaro, diretor da Salvaro Produtos de Madeira, oferecer ao mercado produtos que atendem a normas vigentes é também uma forma de oferecer garantia. “Produtos certificados protegem os consumidores”, garante. Mas, segundo ele, ainda é preciso investir em comunicação para que todos possam compreender os benefícios de um programa de qualidade.

Pensando nisso, e dando sequência ao plano de divulgação do PSQ-PME, o grupo de empresas certificadas, liderado pela Abimci participou, entre os dias 21 e 24 de setembro, da XI Feira Internacional de Esquadrias, Ferragens e Componentes (Fesqua), que aconteceu em São Paulo (SP). Para Salvaro, esse foi apenas o primeiro passo. “Esse trabalho é primordial, para que possamos mostrar que a certificação é um diferencial. O mercado ainda precisa conhecer esse trabalho”, reforça.

O estande do programa de qualidade contou com a participação das 17 empresas que já têm seus produtos certificados. Antonio Rubens Camilotti, diretor da Seiva Camilotti, destacou que o grupo que trabalhou pelo programa de qualidade começou pequeno, mas, hoje, tem demonstrado ser grande. O estande coletivo na Fesqua, por exemplo, reflete isso.

“Assim conseguimos mostrar que somos um grupo forte, que apesar de concorrente, está unido em torno de um bem comum: garantir a certificação das portas de madeira. Mostrar essa união aos visitantes da feira é também uma forma de atestar que o programa é sério, o que ajuda a fortalecer nossos produtos no mercado”, avalia.

Jorge Rohden, diretor Comercial da Rohden Portas, também comentou sobre a participação, destacando que é fundamental demonstrar a organização do programa de qualidade. Ele disse, ainda, que o associativismo se fortalece.

“A Abimci fez um bom trabalho ao trazer o programa para participar da Fesqua, porque mostra o que vai ser o mercado daqui para frente, com normas e legislação muito bem trabalhadas. Essa troca de experiências é benéfica”, afirma.

Outras empresas que também marcaram presença na feira foram a Famossul e Teg. Robson Marcon, gerente Administrativo e Financeiro das marcas, lembrou que as duas fabricantes optaram por participar do programa por entenderem que “a qualidade, hoje, é uma obrigação das empresas”. Para mudar o cenário e fazer com que as construtoras, revendedoras e consumidores finais passem a adquirir portas certificadas, ele afirmou que é preciso apostar numa mudança cultural.

“É questão de tempo para ser uma exigência do mercado de produto certificado, pois ninguém vai querer, por pouca diferença de preço, utilizar no empreendimento um produto de qualidade duvidosa. Por isso, temos que apostar em ações como a participação na Fesqua para mostrar às pessoas a importância e a diferença de um produto certificado, que não trará problemas para o consumidor”, pondera.

Futuro

Na avaliação dos empresários ligados ao Programa Setorial da Qualidade de Portas de Madeira para Edificações, como a exigência por produtos certificados tende a começar a aumentar, o mercado vai melhorar nos próximos anos. Alguns dos entrevistados destacaram que os agentes financiadores, como a Caixa Econômica Federal, por exemplo, já estão exigindo isso no escopo do financiamento. Dessa forma, as construtoras terão que se adaptar. “Hoje ainda existe um mercado muito marginal. Mas a procura por desempenho vai servir como uma peneira, nivelando as fábricas por cima. A concorrência vai ficar mais leal. O Brasil está caminhando para isso”, garante Hilario Sonnenstrahl, coordenador Técnico da Pormade.

Marlon Florentino, coordenador Comercial da Portas Álamo/Manoel Marchetti, complementou a opinião de Sonnenstrahl, dizendo que o mercado está começando a amadurecer. Por isso a preocupação com a redução de problemas passou a ter maior peso para as construtoras. “Ainda existe muita empresa que não investe em processos de qualidade, no parque fabril, na melhoria contínua e consegue ter preço mais barato. Dessa forma, acaba prejudicando o mercado, colocando produto no mercado que não é de boa procedência. É um bom momento para expor o produto e fazer com que os consumidores passem a analisar de forma diferente a porta, compreendendo que o certificado vai ser uma garantia para todos os processos”, completou.

PSQ-PME

Com abrangência nacional, o Programa reúne e representa os fabricantes de portas de madeira do Brasil, atuando em várias ações que visam o fortalecimento do segmento e o atendimento dos requisitos estabelecidos nas normas brasileiras vigentes.

Entre os principais objetivos da iniciativa estão o de promover a isonomia competitiva entre os fabricantes, por meio da conformidade técnica, adequando o desempenho dos produtos às normas existentes, estimular a melhoria continua, agregar valor às marcas e dar garantias ao consumidor final.

Desde 2014, é possível encontrar no mercado portas com a certificação da ABNT. São produtos que atendem à Norma Brasileira NBR 15930. As portas certificadas passam por um rigoroso controle de qualidade de produção, que inclui testes físicos e mecânicos de avaliação do desempenho realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo.

Assessoria de Imprensa Abimci

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